Medições recentes revelam nova altura
No Morro do Careca, localizado na Praia de Ponta Negra, em Natal, medições feitas por pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) indicam que a altura da duna é de aproximadamente 63,6 metros. Este valor contrasta significativamente com as estimativas anteriores que rondavam os 100 metros, frequentemente mencionadas em guias de turismo. Em uma apresentação feita no V Simpósio de Geografia Física do Nordeste, a pesquisa destacou que a altura da duna diminuiu, sendo 66 metros o registro encontrado em 2006.
As medições precisas e a análise geológica contribuem para uma melhor compreensão da dinâmica da área, além de proporcionar um corrigido entendimento sobre uma das imagens mais icônicas de Natal. O Morro do Careca, portanto, se revela como um fenômeno em constante mudança, não apenas na sua altura, mas também em como é percebido pelos visitantes e moradores locais.
Alterações na vegetação do Morro do Careca
A parte careca do Morro do Careca, que dá nome à duna, tem sido afetada pelo avanço da vegetação. Pesquisadores apontam que a área de areia exposta perdeu cerca de 2,5 metros devido ao crescimento de plantas que começam a cobrir a superfície do morro, modificando assim o visual emblemático da duna. Essa mudança, longe de ser um sinal de degradação, é interpretada como um fenômeno natural de recuperação ambiental.
Desde 1997, a escalada do Morro do Careca é proibida, uma medida tomada para proteger tanto a duna quanto a flora e fauna locais, que incluem espécies típicas da Mata Atlântica. Mesmo sem o acesso dos visitantes, a vegetação avança, alterando a paisagem e atraindo atenção para a importância da conservação ambiental e do impacto humano no ecossistema local.
Fatores que influenciam a formação da duna
Os pesquisadores explicam que a areia que compõe o Morro do Careca é transportada pela força dos ventos provenientes de praias adjacentes, como a Barreira do Inferno. Essa dinâmica de transporte é crucial para a preservação da forma da duna, que é considerada uma duna móvel, dependente das constantes reposições de areia. A interação entre o vento, a vegetação e as condições climáticas molda o Morro do Careca, refletindo como esse cartão-postal é, na verdade, uma paisagem viva.
A presença de uma cerca de proteção e placas informativas ao redor do morro garante que a estância seja preservada, além de ajudar na conscientização sobre a importância da conservação. Dados como esses ressaltam não apenas o valor estético da duna, mas também seu papel ecológico, servindo como um habitat para várias espécies e um símbolo de uma capital nordestina em transformação.



