A Estréia do Documentário “Maré Cheia”
No próximo dia 10, às 9h, o auditório da Biblioteca Central Zila Mamede da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) será o palco do lançamento do documentário “Maré Cheia: entre rendas, redes e resistência”. Esse evento ocorre em um momento simbólico, coincidindo com a celebração do Dia Mundial do Meio Ambiente. A produção traz um olhar atento às recentes intervenções na Praia de Ponta Negra, em Natal, focando nas mudanças ambientais e sociais decorrentes dessas obras.
Impactos da Engorda da Praia de Ponta Negra
A obra de engorda da Praia de Ponta Negra, uma iniciativa promovida pela Prefeitura de Natal, tem como objetivos principais combater a erosão costeira e manter a integridade da orla. Esse projeto gerou uma ampla discussão sobre as consequências na comunidade local e na dinâmica turística da região. O documentário convidará os espectadores a refletirem sobre a relação entre o meio ambiente e a urbanização, revelando as consequências diretas que essas ações têm na vida dos moradores da Vila de Ponta Negra.
Vozes da Comunidade: Depoimentos Reais
Uma das características distintivas de “Maré Cheia” é a inclusão de diversos depoimentos de pessoas que vivem em Ponta Negra. Tambémo documentário destaca as experiências de pescadores, rendeiras e pesquisadores que observam as transformações nos modos de vida da comunidade. Entre os entrevistados estão:
- A mestre do pastoril e rendeira Maria Helena, que representa a cultura local.
- A pescadora artesanal Núbia Peixoto, que compartilha sua vivência sobre as mudanças no mar.
- O geólogo Venerando Amaro, que oferece uma visão técnica sobre os efeitos da engorda.
- O procurador da República Camões Boaventura, discutindo impactos legais e sociais das mudanças.
Assim, o filme não apenas capta a realidade local, mas também potencializa a voz daqueles que frequentemente se sentem invisíveis nas discussões sobre urbanismo.
A Relação da Comunidade com o Mar
A relação da comunidade de Ponta Negra com o mar é um dos eixos fundamentais explorados no documentário. A pesca artesanal e a renda de bilro, que tradicionalmente sustentavam diversas famílias, estão profundamente afetadas pelas intervenções urbanas. Os moradores discutem como essas práticas, antes consideradas a base da subsistência local, estão se tornando cada vez mais desafiadoras. Com o objetivo de preservar essa cultura e oferecer um novo espaço para reflexão, o filme apresenta as preocupações e esperanças dos pescadores e rendeiras da localidade.
Estudo das Alterações na Orla de Natal
O documentário vai além de contar histórias pessoais e insere-as em um contexto mais amplo, apresentando dados sobre a engorda da Praia de Ponta Negra. A secretária municipal de Infraestrutura, Shirley Cavalcanti, afirma que cerca de 94% da areia permanece na faixa da orla, embora um estudo realizado pela Funpec tenha indicado uma redução significativa no volume de areia em algumas áreas. Esse tipo de análise é crucial para entender as mudanças na configuração da praia e o impacto que estas têm na fauna e flora locais.
Debate Sobre Sustentabilidade e Urbanismo
Após a exibição do documentário, está programada uma roda de conversa que abordará a sustentabilidade e a urbanização na Praia de Ponta Negra. Essa interação será uma oportunidade valiosa para que o público dialogue com especialistas e integrantes da comunidade sobre os desafios enfrentados e as estratégias viáveis para um futuro mais sustentável. Essa iniciativa fortalece ainda mais o propósito do documentário em ser um veículo de mudança social.
O Papel da UFRN na Produção do Documentário
A produção “Maré Cheia” é resultado do esforço de um grupo de extensão da UFRN, que tem como foco promover o diálogo entre a academia e a sociedade. Os envolvidos no projeto, incluindo Tatiana Castro, Sandra Mara, Yann Henrique, Beatrice Ramos, Rierson Marcos e Gabriel Dias, utilizam a comunicação como ferramenta para dar visibilidade e fortalecer as comunidades tradicionais. Através de suas observações e relatos, a UFRN se coloca como um agente de transformação social, contribuindo para que diversas vozes sejam ouvidas no processo de desenvolvimento urbano.
Transformações Ambientais e Sociais
As mudanças na Praia de Ponta Negra não afetam apenas a geografia, mas também têm implicações significativas na vida das pessoas que vivem lá. A perda de áreas para atividades pesqueiras e a diminuição da qualidade da água são preocupações recorrentes entre os moradores. O filme conclui que essas transformações exigem não apenas soluções imediatas, mas também um planejamento que considere a inclusão e a justiça social.
A Importância da Pesca Artesanal
A pesca artesanal não é apenas uma atividade econômica; ela também está profundamente enraizada na identidade cultural da Vila de Ponta Negra. O documentário enfatiza a necessidade de proteger essas práticas que moldam a comunidade. Os depoimentos reforçam a importância de preservar as técnicas tradicionais de pesca e renda, que representam uma forma de resistência cultural que merece ser valorizada e respeitada em detrimento de práticas corporativas que visam apenas o lucro.
Próximos Passos e Reflexões Após a Exibição
Com a apresentação de “Maré Cheia”, o debate sobre as questões sociais e ambientais se torna mais urgente. O documentário serve como um ponto de partida para discussões mais profundas sobre a sustentabilidade e a preservação do território. Os próximos passos envolvem um comprometimento contínuo das partes interessadas — incluindo comunidades, entidades governamentais e instituições acadêmicas — para assegurar que as vozes de Ponta Negra sejam ouvidas e que suas necessidades sejam atendidas de forma efetiva. Ao instigar reflexões sobre as realidades enfrentadas pela comunidade, o filme busca encorajar ações que promovam uma convivência harmônica entre o homem e a natureza.



