Duna de Ponta Negra encolhe 2,7 metros e revela desafios

A duna Morro do Careca, em Ponta Negra, Natal, perdeu 2,7 metros em 17 anos, destacando os desafios ambientais da região. Essas mudanças ocorreram em meio a um contexto de preservação e desenvolvimento tecnológico.

A encolhida do Morro do Careca

A duna localizada na Praia de Ponta Negra, o Morro do Careca, tem enfrentado um significativo processo de erosão ao longo dos anos. De acordo com um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), a altura da duna caiu de 66 metros em 2006 para 63,3 metros em 2023, representando uma perda de 2,7 metros ao longo de 17 anos. Esse estudo utilizou aerolevantamentos fotogramétricos para mapear a alteração no relevo.

Surpreendentemente, essa diminuição não se alinha com a informação popular que propaga que o morro tem mais de 100 metros de altura. Embora uma perda de menos de 3 metros possa parecer insignificante em uma escala humana, para uma duna, isso indica que ela está perdendo areia mais rapidamente do que a recebe, consequência tanto da ação do mar quanto do vento.

A proibição de subir na duna

Desde 1997, a subida no Morro do Careca é proibida, uma decisão tomada para proteger a duna e mitigar a erosão. Anteriormente, era comum que visitantes subissem e descessem, comprometendo a vegetação que ajuda a sustentar a estrutura da duna. Após essa proibição, a área foi transformada em uma zona de preservação ambiental, e qualquer tentativa de acesso ao cume é considerada uma infração.

Este apelido de careca se refere à vegetação que cobre as laterais do morro, deixando a parte superior exposta, semelhante a uma cabeça sem cabelo. De acordo com a pesquisa da UFRN, essa área também sofreu alterações entre 2006 e 2023, devido à erosão e ao avanço da vegetação.

Processo de engorda da praia

Como resposta à erosão, a cidade implementou um projeto de engorda da praia, que consiste em um aterro hidráulico que bombeia areia do fundo do mar para expandir a faixa de areia. Essa obra utilizou aproximadamente 1,1 milhão de metros cúbicos de areia e foi concluída em janeiro de 2025. O objetivo é aumentar a faixa de areia para até 100 metros durante a maré baixa e 50 metros na alta.

Essa prática visa reduzir o impacto das ondas sobre o calçadão e a base da duna. Com o alargamento da praia, a energia das ondas se dissipa antes de atingir o pé do morro, ajudando na preservação da duna e mitigando o avanço da erosão.

A riqueza mineral da areia

A areia da Praia de Ponta Negra apresenta uma diversidade mineral significativa. Pesquisadores realizaram análises de amostras coletadas na região do Morro do Careca e identificaram minerais como quartzo, epidoto, rutilo, magnetita, titanita, ilmenita e zirconita. Esses estudos visam não apenas a compreensão geológica do local, mas também a promoção de material educativo que possa aproximar turistas e interessados da geologia local.

O quartzo, por exemplo, é a areia clara mais abundante, enquanto minerais como a magnetita e a ilmenita conferem às areias características distintas, resultando em uma coloração mais escura. Essa riqueza mineral não apenas enriquece a geologia local, mas também se torna um atrativo adicional para visitantes e pesquisadores.