Entenda a Crise da Engorda em Ponta Negra
A intervenção na Praia de Ponta Negra, conhecida como “engorda”, levantou diversas controvérsias e questionamentos em relação à sua execução e impacto ambiental. A crise atual está ligada à percepção de que essa obra, vitais para a proteção da costa e manutenção da área, foi realizada de maneira apressada e sem os devidos cuidados. Apesar das alegações, o secretário municipal de Meio Ambiente e Urbanismo, Thiago Mesquita, ressalta que todo o processo foi estruturado de forma técnica e planejada ao longo de vários anos, com início em 2017.
Intervenções Técnicas e seus Impactos
Em sua entrevista, Mesquita destacou que o projeto de engorda de Ponta Negra não consistiu em uma única ação, mas sim em um conjunto de grandes intervenções de engenharia. Três obras significantemente interligadas foram realizadas: a complementação do enrocamento, a requalificação da drenagem e o aterro hidráulico, que ficou popularmente conhecido como “engorda”. Mesquita enfatiza que a integração dessas intervenções é crucial para a proteção da praia e a segurança das estruturas ao redor, garantindo, assim, um comportamento mais sustentável da área.
O Papel da Drenagem na Praia
A drenagem é uma parte fundamental do projeto de engorda, uma vez que ajuda a controlar o acúmulo de água na praia, formando os chamados “espelhos d’água”. Mesquita explica que sistemas adequados devem lidar com a drenagem de água proveniente de uma extensa bacia de 400 mil metros quadrados, que se estende da região do estádio do ABC até Ponta Negra. Em eventos de chuva intensa, essa drenagem deve evitar a erosão, desviando a água, que, segundo ele, alcança o volume significativo de 200 milhões de litros em certas condições climáticas.
Respostas ao Ministério Público Federal
A intervenção em Ponta Negra está sob avaliação do Ministério Público Federal (MPF), que questiona a eficácia da drenagem e os problemas relacionados aos espelhos d’água. Mesquita defende que a crítica não deve recair na engorda ou no enrocamento das obras, mas sim na drenagem, que precisará de ajustes. Ele reafirma que a criação de espelhos d’água é uma consequência da metodologia adotada na drenagem e não necessariamente um erro da obra. O secretário reconhece a necessidade de melhorias, mas enfatiza que as críticas devem ser fundamentadas em análises seguras e técnicas.
Análise da Nova Jazida de Areia
Outro ponto discutido foi a jazida de areia utilizada na obra. Thiago Mesquita admitiu que a exploração dessa nova jazida ocorreu antes da emissão de uma licença específica por parte do Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente (Idema). No entanto, ele justifica essa ação como uma necessidade emergencial, considerando o avanço do mar sobre a área, colocando em risco a base do Morro do Careca e outras estruturas nas proximidades. A jazida, localizada a 10 quilômetros da costa, possui volume suficiente para atender futuras necessidades de intervenção.
Critérios Técnicos da Obra
Os critérios para a realização da obra de engorda de Ponta Negra foram estabelecidos por meio de rigorosos estudos e análises. O processo de licenciamento ambiental que se estendeu de 2017 a 2024 contou com a participação de várias instituições técnicas para garantir a viabilidade do empreendimento. O secretário argumenta que a licença prévia emitida pelo Idema atestou a viabilidade ambiental, social e econômica do projeto, afirmando que não houve precipitação nas decisões tomadas ao longo desse período.
Mitigação dos Espelhos d’Água
Mesquita explicou que, mesmo com a presença de espelhos d’água, o sistema de drenagem busca mitigar esse problema. Com a instalação de dissipadores de energia, o fluxo de água reduz sua velocidade ao chegar na areia, evitando a erosão costeira ao espalhar a água de maneira uniforme e lenta. Embora o acúmulo de água na praia gere desconforto visual e possa ser visto como um problema estético, o secretário assegura que a maioria da água acumulada infiltra na areia rapidamente.
Futuras Ações da Secretaria
Diante das críticas e da pressão por melhorias na drenagem, a Prefeitura de Natal pretende implementar novos reservatórios a montante para auxiliar no desvio do volume de água das chuvas que se acumulam na praia. Apesar dessas melhorias, Mesquita reconhece que durante intensas chuvas, a presença de espelhos d’água será inevitável, embora em menor volume. Essa intervenção adicional, orçada em cerca de R$ 21 milhões, está sendo planejada como um complemento, não como uma retratação de falhas anteriores.
Importância da Licença Ambiental
A licença ambiental é um elemento crucial para a realização de obras dessa magnitude. Mesquita enfatiza que a obtenção da licença prévia pelo Idema, e o posterior cumprimento das exigências aplicadas, demonstram o comprometimento da Prefeitura com as normas ambientais. O processo de licenciamento é desenhado para assegurar que todos os impactos ambientais sejam considerados e minimizados ao longo do projeto.
A Opinião de Especialistas sobre o Projeto
Além dos argumentos apresentados pelo secretário, especialistas têm analisado a situação de Ponta Negra, trazendo visões sobre a importância da preservação ambiental e segurança costeira. O consenso entre os especialistas destaca a necessidade de obras bem fundamentadas que respeitem a dinâmica costeira e minimizem impactos negativos ao meio ambiente. Assim, busca-se um equilíbrio entre a preservação dos espaços naturais e a oferta de infraestrutura adequada para a população e o turismo.



